Fotografia e Internet

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Texto de Clicio Barroso

Muito se tem falado da importância da presença dos fotógrafos na Web, mas a maioria não tem a menor noção de como esta presença deve acontecer. E o que era para ser bom, se torna spam.
E spam sempre é muito ruim.
Se eu tomar como base a perspectiva histórica desta presença no Brasil, temos que começar com as BBS (Bulletin Board Services); como o nome diz, eram quadros de avisos virtuais, onde as pessoas largavam suas mensagens na esperança que outros as buscassem, e as respondessem. BBS grandes  como a Sherwood ou a Mandic conectavam-se à redes como Lusenet através de linha discada, com modems de 2.400bps, e deixavam no servidor “pacotes” de mensagens que mais tarde eram “recolhidos” pelo interessado em ler as eventuais respostas. Nesta época em que não havia acesso a e-mails, através das BBS os fotógrafos já tinham formado uma comunidade de troca de informações bastante ativa. Não havia ainda Internet comercial, apenas acadêmica e militar; estamos falando de 1994.
Mas no final de 1995, finalmente a Internet se tornou comercial no Brasil, com a criação do Comitê Gestor da Internet, entidade responsável pela rede mundial de computadores no país. O sucesso foi imediato, com as primeiras trocas de e-mails acontecendo entre pessoas físicas, e surgindo os browsers pioneiros como o Netscape Navigator, que navegava por sites basicamente de textos, uma consequência ainda da Internet acadêmica.
Nessa época, novembro de 1995, construí o meu primeiro site de fotografia e fiz minha estréia no Geocities, que era gratuito e dividia as categorias de internautas por “bairros”; os artistas, designers e fotógrafos ficavam no Soho, numa óbvia correlação com o bairro nova-iorquino. O problema é que ninguém sabia fazer site de fotografia, pois ninguém os tinha feito ainda, e as aberrações eram constantes; letras garrafais em negrito, fundos de coloridos berrantes, gifs animados que piscavam por toda a tela; tudo atrapalhava a boa visualização do que realmente interessava, ou seja, as fotos. Alguns outros fotógrafos pioneiros eram meus “vizinhos” no Geocities, e a troca mútua de e-mails se intensificou à procura de fórmulas mais eficientes para publicar nossas fotos na web.
Dois anos mais tarde, já havia um pouco mais de bom-senso, a novidade já não era tão nova assim, a comunicação online se tornara mais rápida e os sites de fotografia ficavam mais “calmos”. Um novo problema, porém, surgiu; como não havia muita gente especializada em design de websites, e não existiam faculdades de multimídia, os fotógrafos resolveram  continuar com a mão na massa fazendo seus próprios sites, sem muita noção de estrutura mas com muito entusiasmo, e o que se viu no período foram sites menos feios mas impossíveis de se navegar; arquitetura de informação inexistente, menus que eram tudo menos intuitivos, designs elaborados que escondiam as fotos por debaixo de três ou quatro níveis de hierarquia. Era um milagre que algum cliente visse nossas fotos, pois ele tinha que ser persistente e procurar muito!
E então a profissionalização começou; a Internet a partir de 1998 cresceu a um ritmo alucinante, milhões de endereços de e-mail e websites surgiram em pouco tempo, e a publicidade passou a prestar atenção nesse novo mercado. As ferramentas para construção de sites se sofisticaram, as primeiras câmeras digitais profissionais ficaram acessíveis, a navegação mais rápida. E junto vieram os problemas. O principal foi o erro de se pensar Internet como se pensava  revista; fazer sites que permitissem realizar lucro com banners de publicidade parecia óbvio, mas não funcionou; criar listas com endereços de e-mails categorizados para enviar malas-diretas eletrônicas parecia ser um grande negócio, com as listas sendo negociadas por valores estratosféricos, mas também não funcionou por muito tempo, pois as listas eram roubadas, copiadas, distribuídas e compartilhadas, e a medida que a quantidade de spam aumentava a resposta comercial destas malas-diretas caía proporcionalmente. Mesmo assim os grandes investidores (bancos e financeiras) ainda acreditavam e investiam literalmente milhões em incubadoras de sites que, em sua maioria, dependiam de um modelo antigo e ultrapassado de venda de publicidade para que fossem sustentáveis, incluindo os bancos de imagens pessoais dos fotógrafos.
E aí a bolha estourou em 2001, levando consigo diversos empresários à falência.
O modelo que se mostrara inadequado a essa nova realidade, porém, se manteve como paradigma, e os fotógrafos continuaram a apostar nele. Sites-portfólio, hot-sites e mailing eletrônico ainda adotados como ferramentas de marketing pela maioria; listas de discussão especializadas (“nichadas”, no jargão publicitário) e fórums de fotografia, que existiam desde o tempo das BBS, seguiam servindo como divulgação indireta do prestígio do fotógrafo nas comunidades fotográficas, pois a moeda de troca sempre foi “informação X indicação”, ou seja, eu dedico um pouquinho da minha vida online ensinando o que sei, e assim ganho confiabilidade suficiente para que a comunidade me indique para trabalhos mais elaborados.
Mas os resultados da soma destas estratégias, em grande parte, foram catastróficos.
O valor da fotografia profissional, que já vinha caindo com a facilidade permitida pelas câmeras digitais, despencou com a popularização dos bancos de imagem globais de baixíssimo custo (Royalty Free e MicroStock).
E o fotógrafo sentiu-se perplexo.
Por que razão não estava dando certo? Tanto investimento em tempo, tecnologia, e qualidade indo pelo ralo; o retorno das ações de marketing na Internet já não justificavam os custos.
A resposta é fácil. O consumidor mudou, o comprador de fotografia mudou, mas o modo de se vender fotografia permaneceu o mesmo. Estagnado.
Em tempos de Google, com sua publicidade inteligente de links patrocinados e Ad-Sense, que aparecem quando você mais precisa (e sem banners!), em tempos de Twitter com seu “soft-selling” de produtos e serviços diluído entre informação de qualidade, em tempos deFacebook Linkedin onde o pessoal e o profissional se misturam de forma transparente, as estratégias dos fotógrafos tem que mudar.
Site-portfólio, de repente já parece coisa do século passado, e é!
Arrisco um palpite; não espere que alguém compre suas fotos (atitude passiva), e sim venda suas fotos a quem as precisa (atitude pró-ativa). Através das chamadas mídias sociais.
70% das pessoas hoje decidem uma compra por indicação pessoal ou resultado de pesquisa, e não pela publicidade convencional.
Agora sim a moeda de troca das antigas listas de discussão vale: tenha uma presença marcante no Facebook. Faça um blog e realmente dê de presente informação de valor aos seus leitores. Crie um perfil profissional no Linkedin. Mostre suas fotos sem medo de “ser roubado”, pois se a foto, texto, vídeo ou o conteúdo que for estiver na Internet, ele vai ser roubado, e desta forma pode positivamente se transformar em marketing viral. Pense em trocar as listas de discussão, os fórums, o MSN, o Orkut e o seu Outlook pelo Google Wave. Converse, compre, venda, divulgue e viaje pelo Twitter.
E o principal, ache seu cliente (que certamente está em todos esses canais) e faça ele participar. Ponha ele na roda. Faça ele pular de link em link, dentro da sua estrela de ações na web, e ele vai se fidelizar, vai saber te encontrar, vai poder te indicar para outros clientes.
Serão 40 milhões de brasileiros conectados a Internet em 2010, 40 milhões de potenciais clientes no Brasil. São 1,5 bilhão de pessoas conectadas no mundo.
Este 1,5 bilhão de potenciais clientes é seu. Pense nisso.

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