Festa Gigante – Reinauguração do Beira-Rio

em Blog
Reinauguração do Beira-Rio

Reinauguração do Beira-Rio

Compartilhar

Bendito templo farrapo de histórias lendárias… Gigante imponente de aço e concreto, erguido pela vontade do povo, humildemente, tijolo a tijolo. Quem te vê ao fim da tarde, entre as águas do Guaíba e o astro rei que morre ao fundo, sugere que não fostes obra do homem, emergido do fundo do lago, pareces um titã, com vida própria…

Sob os meus pés sustentastes minhas angustias e tristezas, já fui cristão devorado por leões neste coliseu gaúcho, já amarguei derrotas, voltei pra casa revolto, sem consolo e desesperançado. Mas és gigante com alma, carregas contigo o dom de imitar a vida, e por isso, não só de tristezas és cúmplice. As alegrias foram muitas, e grandiosas, suplantaram toda a dor de uma nação colorada…

Com o estádio vazio, no silêncio das tuas arquibancadas, se eu fechar os olhos volto no tempo e enxergo meu Pai carregando-me pela mão pela primeira vez na tua direção. Nesta marcha, cheia de ansiedade e emoção, que para uma criança parece não ter fim, quase sou eu que guio meu Velho, na ânsia de te conhecer…

Querido gigante! Remodelado, melhorado, embelezado e modernizado, estás diferente, porém, continuas o mesmo… Mesma aura, mesma mística, mesma história, pronto e preparado para a eternidade. Mesmo ostentando esta nova estampa, sinto impregnado nas tuas paredes as rugas de tua linda trajetória vitoriosa.

Dadá Maravilha na Festa Gigante

Dadá Maravilha na Festa Gigante

Compartilhar

Coloco as mãos em uma coluna, e por um instante é possível ainda sentir o estádio estremecer na comemoração convulsiva de cem mil seguidores desta religião infernal, com o gol inaugural de Claudiomiro sobre o grande Benfica de Eusébio.

Símbolo de um tempo em que o futebol era arte, fostes moradia de um esquadrão iluminado que por três vezes arrebatou e assombrou o país. Fostes o palco do século, no embate do século quando Nilson fez o impossível, o improvável, num gre-nal já quase perdido com um jogador a menos.

Gigante imenso! Imenso gigante! Abocanhaste a América inteira pela primeira vez quase num susto, num último suspiro, pela mão trocada de Clemer na cabeçada à queima-roupa, dizimando da memória as tristes recordações de 89 e enviando teus guerreiros para a terra do sol nascente mostrar ao mundo a bravura de um time vestido de um manto alvirrubro… Benditos meninos Juliano e Damião, que fizeram uma guerra sangrenta parecer brincadeira de criança, te servindo a América num farto banquete, com a supremacia de um campeão, pela segunda vez.

Clemer durante a Festa Gigante

Clemer durante a Festa Gigante

Compartilhar

A “coréia” deixará saudades, cova de leões, de templários sagrados, dispostos a travar as mais árduas cruzadas, sob o sol escaldante de janeiro ou congelados pelo minuano de julho, são os torcedores mais fiéis, símbolo maior do clube chamado de “o clube do povo”…

Por mais bonito que fiques, ficará na memória a imagem do velho estádio, a velha estampa do celeiro de ases. Mas, por favor, não se aborreça, não tenho culpa. A emoção que me proporcionaste na vida marcou a ferro candente a minha memória. Quando entrarmos na nova casa e poucas forem as lembranças que a tua nova aparência sugerir, lembras que não fostes ao chão, não fostes apagado, és a base de um novo começo, és a alma, és o cerne encharcado de história de um templo de bravos.

Reinauguração do Beira-Rio

Reinauguração do Beira-Rio

Compartilhar

Caminharemos juntos rumo ao futuro e eu, certamente em breve, terei a minha mão guiada pelo meu filho, sob marcha ansiosa, na tua direção pra que o coloradismo se renove e esta paixão rubra, inexorável, entranhada no meu DNA passe às gerações que de mim surgirem, numa linhagem alvirubra inesgotável, gigante, para sempre.

Texto de Daniel D’Avila – Colorado

Compartilhe:

Veja Também:

Bem vindo ao blog da Preview - Banco de Imagens.

Fique a vontade para compartilhar nossas fotos!

Embarque nesta aventura

Receba nossa newsletter, conteúdo exclusivo, promoções e muito mais...