Banda de uma mulher só

em Fotos de Porto Alegre
Banda de uma mulher só

Na manhã de 27 de dezembro de 2007, quatro dias antes do término de seu primeiro ano de gestão, Yeda Crusius reconheceu implicitamente a Zero Hora que havia timidez na divulgação das ações do governo e disse que, no ano seguinte, as realizações teriam mais visibilidade:

– Vou fazer muita banda de música, no estrito senso da expressão.

O ano que se aproxima do fim foi ainda mais difícil para o governo do que o anterior. Vistos em retrospectiva, os momentos festivos parecem pausas planejadas para aumentar a carga dramática das crises. Mas houve, sim, espetáculo, e dele se encarregou a personalidade mais exuberante do governo: a própria governadora.

Com décadas de vida pública, Yeda ainda é capaz de exibir a graça de uma recém-chegada à política. Os comentários desconcertantes que já entraram para a história – “Não me perguntes onde fica o Alegrete”, “Puseram um bebê japonês no meu colo” – vêm da mulher simples que a governadora soube não deixar de ser. E é visível em Yeda uma atenção, incomum em seus antecessores, ao simbolismo dos imóveis oficiais. Este ano, houve a reforma do Palácio Piratini, a ocupação da Casa Branca no Parque Assis Brasil e, agora, a instalação do governo na residência de José Gomes de Vasconcellos Jardim, em Guaíba. Com exceção do investimento na reforma do Piratini – que nem a oposição questiona –, há pouco mais do que liturgia nesses pequenos gestos.

Mas a comunicadora Yeda vê neles uma oportunidade de oxigenar o poder e aproximá-lo dos gaúchos comuns.

Esta é uma reprodução do texto de LUIZ ANTÔNIO ARAUJO, editor de política do jornal Zero Hora.

Mais políticos poderiam ter na simplicidade da Governadora, um exemplo a seguir. Quando falo dos políticos não generalizo, mas muitos se preocupam com picuinhas provincianas e não se dão conta – ou não aceitam – a grandesa de certas atitudes.

Curtiu? Compartilhe: